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4
Nov

do Brasil Econômico

Os papéis do Groupon disparam 39% após o site de compras coletivas levantar US$ 700 milhões na maior oferta pública de empresas de tecnologia desde a abertura de capital do Google sete anos atrás.

A abertura de capital de companhias de novos setores da tecnologia ainda desperta dúvidas no investidor.

A precificação de papéis de novos nichos de negócios, como no caso do Groupon ou do recente LinkedIn – que abriu capital este ano – ainda é um mistério.

Para Rob Romero, gestor de carteira da Connective Capital, consultoria de investimentos de Palo Alto, no Vale do Silício, o mercado ainda não sabe ao certo como se comportar em ofertas públicas desse perfil de empresa.

“Eu não acho que o mercado já saiba exatamente como precificar esses papéis”, explicou em entrevista ao Brasil Econômico.

Prova disso é o desempenho expressivo dessas ações em suas ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês), seguidas por forte volatilidade na bolsa.

Primeira rede social a oferecer ações na Bolsa de Nova York, o LinkedIn disparou 90% na sua estreia, em maio. Poucas semanas depois, em junho, já havia analistas discutindo a possibilidade de uma bolha alardeada pelos papéis da companhia. Recentemente, um prejuízo de US$ 1,6 milhão no terceiro trimestre provocou uma queda de 9% nos papéis.

No final de outubro, uma perda acentuada de assinantes revelada no balanço trimestral derrubou os papéis da Netflix – fornecedora de serviços de DVD – em mais de 36%. Em setembro, os papéis da empresa despencaram 50% com a separação da unidade de serviços de transmissão da que opera o envio de DVDs pelo correio.

“O mercado está começando a ficar atento diante dessas oscilações e no real valor de mercado dessas empresas”, avalia Romero.

O Groupon optou por vender apenas 5% das suas ações ao mercado: o pequeno número de papéis em circulação serve não só como um elemento de segurança, mas como de elevação do valor de mercado da empresa.

Romero lembra que como há muito interesse em papéis com grande potencial de crescimento, a empresa lança uma pequena oferta como forma de elevar o preço pela pressão da demanda.

“O LinkedIn também adotou essa política de limitar a parcela de ações em circulação.”

Expectativa

O desenvolvimento do Groupon em outros mercados torna a empresa ainda mais atrativa para o grande público na bolsa.

“É uma ajuda para os comerciantes regionais fazerem suas ofertas e darem um apoio à força de vendas”, lembra o executivo da Connective Capital.

Romero lembra que não pode ser descartada a condição econômica dos Estados Unidos, que não promete grandes aumentos no consumo nem na renda do cidadão.

“Não podemos perder isso de vista, mas o principal elemento nessa análise está no grande potencial de mercado dessas empresas, que trabalham com ofertas locais.”

3
Nov

do Brasil Econômico

Embora a redução na taxa básica de juros europeia não vá trazer grande reforço para a economia local na luta contra a recessão, a receita de política monetária voltou à tona no combate à crise.

A euforia nas bolsas após o corte nos juros promovido pelo Banco Central Europeu nesta quinta-feira (3/11) sinaliza o quanto essa medida era esperada pelos mercados.

No entanto, a medida deve trazer poucas mudanças para o cenário atual.

Em sua primeira reunião na liderança do Banco Central Europeu (BCE), o economista italiano Mario Draghi surpreendeu ao contrariar todas as expectativas de mercado reduzindo a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 1,25% ao ano.

Para David Fuller, estrategista global da Stockcube, casa de pesquisa britânica, a ousadia de Draghi não passou de obrigação, uma vez que a medida já deveria ter sido adotada há muito tempo.

“Não há muito mais o que evitar. O atraso da medida deverá reduzir os seus efeitos sobre a economia europeia”, afirmou ao Brasil Econômico.

Nesta semana, o Reserve Bank of Australia (banco central australiano, RBA) fez um corte de mesma magnitude em sua taxa básica, derrubando-a para 4,5%.

A decisão do país aponta que, mesmo entre os países que enfrentavam pressão de alta nos preços, a tendência é de redução dos juros.

Em dezembro e janeiro, o Banco da Tailândia iniciou uma trajetória de afrouxamento monetário, que resultou em uma redução na taxa de 1,75%, para 2%, o menor patamar em dois anos.

Em outubro, a Indonésia já aplicou uma redução de 0,25 ponto percentual, para 6,5%. “É uma tendência global”, lembra Fuller.

A pergunta subsequente é evidente: e a China? Para Fuller, o fim do aperto monetário chinês está próximo, o que indica que a casa oriental seja uma das próximas a cortar sua taxa básica.

“Acredito que a China já tenha terminado o seu ciclo de aperto monetário e agora deve trazer mais liquidez ao mercado”, antevê Fueller.

Posto que em 2008 a resposta chinesa à crise foi um “estímulo maciço” sobre a economia, a ideia é que esse movimento se repita.

“O que o Banco Central chinês deverá fazer é antecipar as decisões, antes que a economia se mostre enfraquecida. Isso é tudo que eles menos querem.”

A especulação imobiliária e a alta nos preços dos alimentos teriam sido o principal fator para manutenção da taxa em altos níveis. Motivos que, para Fuller, não fazem mais sentido no cenário econômico atual.

A última vez que o Banco Popular da China (central) mexeu na taxa básica de juro foi em julho, quando subiu a referência de 6,31% para 6,56% para conter a inflação.

1
Nov

do Brasil Econômico

Com cenário internacional instável, Bradesco Corretora, BTG Pactual e Bank of America apostam em empresas ligadas à economia doméstica em novembro e aumentam exposição no setor bancário.

O anúncio de um plano para a Grécia tranquiliza, mas não isenta o mercado de novas preocupações vindas do Velho Continente.

O ambiente segue desafiador na opinião de Carlos Firetti e Dalton Gardimam, analistas da Bradesco Corretora.

“Ainda vemos risco de momentos adicionais de deterioração no cenário antes de uma recuperação mais firme”, avaliam.

A carteira sugerida pelo banco em outubro avançou 3%, contra uma valorização de 11,5% para o Ibovespa.

As principais perdas vieram dos papéis da Drogasil (-4%), do Fleury (-3,5%) e da BR Malls (-3,4%). As ações da Petrobras (11,6%), da Alpargatas (9,2%) e da Cielo (8,6%) destacaram-se positivamente.

Entre as expectativas da corretora, ênfase para Cyrela e Drogasil, empresas cujas ações têm potencial de valorização de 83,9% e 83,3%, respectivamente, em 2012.

O BTG Pactual aposta no setor bancário que, segundo os analistas, tem sido negociado a valores atrativos na bolsa de valores.

A instituição financeira ampliou sua exposição ao segmento, chegando a 10% de sua carteira em ações do Itaú Unibanco e 15% nos papéis do Bradesco.

Commodities

Por outro lado, a desaceleração da economia mundial força a saída de papéis ligados ao desempenho das commodities, segundo a equipe do Bank of America Merrill Lynch.

A opinião é compartilhada pelo BTG Pactual, que reduziu suas posições no setor a 15% da carteira, concentrados exclusivamente nos papéis da Vale.

O relatório do BTG, assinado por Carlos Sequeira, Bernardo Miranda e Antonio Junqueira, destaca que o mercado brasileiro está sobrevendido e tem reagido de forma exagerada aos indícios dos mercados.

“Entendemos que a venda dos papéis da Vale por receio de menores preços para o minério de ferro passou do ponto”, lembra o relatório.

Europa

O BTG Pactual lembra que a situação na Europa está longe de ser resolvida, o que alimenta mais a cautela.

“Estamos cautelosos com o mercado em geral e com o mercado brasileiro em particular”, sinaliza o documento.

“Na nossa opinião os mercados devem seguir voláteis enquanto os líderes europeus estiverem trabalhando na implementação das medidas anunciadas. Por isso decidimos manter nosso portfólio com baixo risco, focado em empresas expostas à economia local.”

Para os próximos 12 meses, o Bank of America espera que o Ibovespa esteja operando em torno dos 70 mil pontos, com base no avanço do setor doméstico, segundo o relatório assinado por Renato Onishi, Pedro Martins Jr. e Marina Valle.

“O Brasil segue sobrevendido, acreditamos em um potencial de alta de 20% nos próximos 12 meses.”

1
Nov

do Brasil Econômico

Após amargar sucessivas baixas ao longo de 2011, o principal índice de ações do país alcançou valorização mensal de 11,49%.

Foram poucas as vezes neste ano em que os investidores do mercado de ações puderam comemorar.

Queda das principais ações que compõem o Ibovespa, seguida por uma forte turbulência internacional, se traduziram em perdas profundas ao principal índice acionário nacional.

Primeiro, foi a vez das ações da Petrobras derrubarem o Ibovespa. Uma interpretação de ingerência política sobre a companhia levou os papéis abaixo.

As ações preferenciais da estatal caíram 9,77% em abril e mais 5,11% em maio. No ano, a queda acumulada é de 19,71%. No caso das ordinárias, a desvalorização chega a 22,59%.

A partir de maio, o dilema ficou em torno da Vale. A substituição de Roger Agnelli da presidência da mineradora com rumores de intervenções do governo na gestão da empresa trouxeram perdas ao papel.

Desde o começo do ano, foram apenas três meses de saldo positivo para as ações da mineradora. As preferenciais acumulam perdas de 9,94% no ano, enquanto as ordinárias perdem 15,91%.

Os Estados Unidos e a Europa cuidaram do restante do ano. A crise da elevação do teto da dívida americana e as idas e vindas em torno da dívida soberana dos países da periferia do euro chacoalharam o mercado mundial.

A ameaça de calote grego, que perdurou até a última semana, não deixou o investidor operar tranquilo. No ano, a desvalorização do principal índice acionário nacional ainda é de 15,82%.

No entanto, foi na última semana que as nuvens negras parecem ter saído de cima do mercado de capitais brasileiro. Após acumular alta de 7,71% nos cinco pregões entre segunda-feira (24/10) e sexta-feira (28/10), o Ibovespa alcança a posição de melhor investimento do mês de outubro, com valorização de 11,49%.

Essa alta do final do mês vem justamente da expectativa de dissolução da tragédia grega – ou pelo menos do surgimento de um novo horizonte para ela.

“Antes da semana passada o índice vinha com altas menos relevantes, já embasadas na possibilidade de uma reestruturação do fundo de resgate da Zona do Euro”, lembra Fernando Góes, analista do Rico, home broker da Octo Investimentos.

“O mercado vive mais de expectativas que de fatos propriamente.”

Daqui para frente, a proximidade com o final do ano somada a uma solução temporária ao quadro europeu deve trazer a bolsa para território positivo.

“Se não houver mais nenhuma deterioração no mercado externo, o cenário com o que trabalhamos é de melhora nos próximos meses.”

Para que o noticiário se acalme de uma vez por todas, Pedro Galdi, analista-chefe da SLW, entende que é fundamental que outros países passem a compor o fundo de reestruturação do velho continente, demanda já manifestada pelo Banco Central Europeu.

Galdi trabalha com um encerramento de 2011 em cerca de 65 mil pontos. São dois meses para agregarmos mais sete mil pontos ao principal índice acionário nacional. “A perspectiva é positiva.”

Câmbio, ouro e fuga de riscos

A moeda americana também trouxe seus solavancos ao longo deste ano. Depois da forte queda do dólar frente ao real – a qual, vale lembrar, tirou o sono de Banco Central e do Ministério da Fazenda -, as perdas foram revertidas. No acumulado do ano, já se registra um tímido ganho de 0,58%.

No entanto, em outubro a desvalorização foi de 8,95%, o que aponta para um patamar ainda superior em setembro.

“O fluxo cambial foi mais forte e significativo que a aversão ao risco diante da turbulência europeia”, lembra Ítalo Abucater dos Santos, gerente da mesa de câmbio da Icap Brasil.

Com o cenário externo deteriorado e o Brasil supostamente protegido contra a crise, a entrada de capital no país beirou o incontrolável.

Para Santos, essa desvalorização da moeda em outubro deve ser compensada, ao menos em parte no próximo mês. Com governo atuando diretamente na cena cambial e as mudanças patentes no contexto mundial, a tendência segue de valorização da moeda.

“Com esse fluxo positivo neste mês, acaba sobrando muita gordura para queimar”, reitera.

O ouro, que foi o investimento favorito do investidor durante boa parte do ano, também mostrou fragilidade no décimo mês do ano. A desvalorização foi de 4,49%.

No entanto, o clima de incerteza durante ao longo do ano ainda é imponente sobre a operação do metal. A valorização acumulada até setembro ainda é de 14,02%.

No mesmo sentido caminham os investimentos em renda fixa, que acumulam valorização de 10,44% em 2011. No mês, no entanto, o investimento não perdeu valor, chegando a alta de 1,02%.

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